investigar, experimentar, repetir

A ideia de um coletivo de arquitectos e artistas angolanos, com grande paixão pelas artes em geral surge no final de 2019. Assim, a concretização da ideia vem no início do ano seguinte, como grupo BANGA. Desde os corredores da faculdade de Arquitetura (entre Universidades em Angola e Portugal, por onde os elementos do grupo passaram), persistia a inquietação sobre identidade ao nível artístico e arquitetónico. Aliás, a palavra “banga” tem a ver com autoafirmação, sendo que, na linguagem urbana (em Angola) esta representa estilo próprio e elevada autoestima (que se traduz particularmente na forma de vestir). Assim, para os elementos do grupo, banga traduz-se como sentimento de grande valorização que alguém tem em relação a si próprio. 

 

Uma vez, profissionalmente ativos, o grupo BANGA acredita que o caminho, neste percurso de busca identitária, é o autoconhecimento, o que implica pesquisa, investigação e, por consequência, intervenção. “Apenas quando me conhecer, poderei entender-me”. 

Passam assim, a ser intervenientes, principalmente dentro da esfera urbana e rural, que se diferencia nas diversas cidades angolanas. Assim, cada projeto proposto pelo grupo pretende desenvolver duas componentes: prática e teórica. Para além de servir de suporte para as “respostas práticas”, a componente teórica tenciona registrar pensamentos (mais ou menos inconscientes), realidades, modos de vida, necessidades e carências. O confronto entre o passado e o futuro cruza constantemente a narrativa deste coletivo, acreditando que o passado nos dá pistas de como intervir nos anos vindouros. Por isso, procuram no seu trabalho conhecer e resgatar a história do lugar e as estórias das pessoas. 

 

A identidade é um fator importante para nós, por isso procuramos no passado diretrizes para o futuro. Infelizmente, vemos na atualidade o crescimento das cidades em Angola, particularmente Luanda, com grande influência de realidades que não nos pertencem. Somos vítimas da globalização, da corrupção e má gestão dos nossos recursos.” (BANGA, em entrevista ao Archdaily Brasil, 2020) 

É notória a preocupação do grupo nas questões da urbe (muito se deve à formação arquitetónica), no estado da cultura e na divulgação dos profissionais nacionais, principalmente da arquitetura e artes em geral. São destas preocupações que surgem os projetos e intervenções artísticas, como é o caso do projeto Cabana de Arte (2020), onde o principal objetivo era a divulgação de arquitetos e artistas angolanos, onde por meio de espaços virtuais era proposto à estes personagens realizar espaços de exposições, onde a arquitetura nacional deveria ser explorada ao máximo.