Até ao nada
2020

Esta ilustração faz parte de um projecto intitulado "O Soba tem algo para dizer", que é constituído por um conjunto de ilustrações e um vídeo, tendo como personagem principal um "Soba Bailundu".

 

Soba é uma autoridade regional tradicional de Angola. Portanto, ele é o representante do povo em uma determinada tribo ou região. O “sobado” é o território governado por um soba. No interior dos sobados encontramos os Ombalas, que são espaços fechados com diferentes tipos de construção no seu interior: Social (Odjango, onde o soba se encontra com o seu concelho; e a praça, onde o soba tem contacto com o povo); Residencial (que inclui uma ou mais casas para o soba) e Espaços para Rituais (os Akakotos, onde são encontrados os restos mortais dos antepassados ​​e os principais rituais são realizados; o Etambu, onde encontramos o túmulo dos sobas anteriores). Nota-se assim, que há uma forte organização espacial destes povos, centrado sobretudo em quatro pilares: o social, a administração, a habitação e os ritos.

 

M'Balundu (nome original do reino M'Bailundu, hoje apenas município do Bailundu, na cidade do Huambo, Angola) foi um dos mais importantes reinos de Angola. "Ao longo da sua história, o reino do M’Balundu sofreu um conjunto de profundas influências e transformações, sobretudo a partir da dominação colonial portuguesa, e mais concretamente a partir de 1902, data da última sublevação dos Bailundos contra o domínio colonial." (Florêncio, 2010, p. 11) Pelos relatos do povo autóctone, o reino do M’Balundu foi fundado no século XVI, por um caçador chamado Katiavala. 

 

A ilustração aqui apresentada, "Até ao nada" é constituído por três momentos. Aqui a figura do soba, como um soberano nacional, é usada para uma reflexão em vários sentidos. A ilustração centra-se na postura e imagem do soba (de pé, sentado, desaparecido) e ainda em algumas das “riquezas” nacionais (ouro, diamante, petróleo). Na verdade, esta ilustração pretende ser uma analogia para a relação entre o Continente Africano (outrora, visto como uma mina/cofre) e os vários países interessados na sua exploração. A figura do soba começa ereto orgulhoso dos seus “panos tradicionais” (no canto inferior direito vemos o ouro representado); logo, senta-se e é vestido com roupas novas e ocidentais (no canto inferior direito vemos o diamante representado); por fim não vemos o soba, não sabemos onde está ou se volta (no canto inferior direito vemos petróleo derramado no chão).